domingo, 17 de fevereiro de 2013


A Copa do Mundo e as Olimpíadas já são um fracasso

Desde o início do Blog, estou ansioso para escrever sobre os principais eventos esportivos que estamos para receber nos próximos anos. Mas tentei me conter para evitar a ladainha e negativismo que por vezes nos acompanham e já fazem parte da síndrome de vira-lata, típico de nós brasileiros.

Entretanto, às vésperas da Copa das Confederações, o "ensaio" de gala para a Copa do Mundo de Futebol, já podemos afirmar que o Brasil perdeu mais uma oportunidade de dar um grande salto rumo ao desenvolvimento.

Com certeza, ainda que com algum atraso, os estádios ficarão prontos a tempo da realização dos Jogos. As arenas esportivas estarão prontas para receber os atletas e torcedores de todos os cantos do mundo. A "imprensa" (leia-se Rede Globo) promoverá os jogos e nos mostrará as festas e a alegria dos brasileiros, contagiantes para os visitantes estrangeiros, será um sucesso... Mas não se trata apenas dos Jogos.

O legado dos Jogos Olímpicos e da Copa do Mundo, vai além das fronteiras do esporte. Estes eventos têm o poder de serem catalisadores na melhora das condições da infra-estrutura, educação e economia dos países que recebem tais eventos e é isto, mais do que a realização do evento por si só que define se os Jogos serão um sucesso ou um fracasso.

Já perdemos a oportunidade de vermos a concretização de grandes obras de mobilidade urbana. Salvo algumas exceções (como algumas obras em Belo Horizonte e São Paulo), as cidades que abrigarão os Jogos não tiveram mudanças em seu planejmento urbano, aumento da malha metroviária, construção de aeroportos, etc... Após os jogos voltaremos à mesma situação de transportes públicos de massa precários, incentivo aos meios de transporte individuais e grandes congestionamentos e aumento de poluição nos centros urbanos.

Outra grande oportunidade que os Jogos Olímpicos podem proporcionar é revitalizar áreas urbanas decadentes e acelerar mudanças na cidade. Barcelona, Pequim e Londres são exemplos de sucesso na revitalização de áreas abandonadas. A região de Stratford em Londres, anteriormente uma área industrial decadente foi revitalizada, melhorando o transporte público, aumentando a segurança da região e melhorando a auto-estima para os moradores deste subúrbio de Londres. Barcelona alterou todo o sistema de coleta de lixo, iniciando pela Vila Olímpica. Projetos desta natureza, não existem no projeto Olímpico do Rio de Janeiro, que terá a Vila Olímpica construída próximo ao bairro da Barra da Tijuca, uma das áreas mais valorizadas da capital carioca.

Mais uma oportunidade desperdiçada é o desenvolvimento de cidades do interior do país. Todas as delegações que participarão da Copa e dos Jogos Olímpicos precisarão de um período de treinamento e aclimatação. Seria uma excelente oportunidade para estâncias turísticas do interior do país desenvolverem sua infra-estrutura para receber delegações numerosas de atletas, torcedores e jornalistas. Enquanto isso, não vemos nenhuma movimentação ou programa de incentivo para as cidades do interior.

É sabido que temos uma grande deficiência em toda a população sobre o conhecimento de línguas estrangeiras. Não houve momento mais oportuno para a promoção de cursos de preparação e aprendizado de idiomas em massa para taxistas, trabalhadores de restaurantes, hotéis e outros setores da economia que irão receber um grande número de turistas estrangeiros. Também já perdemos o bonde, perdemos mais uma chance...

Nos Jogos Olímpicos, que ocorrerão em nosso país, temos participação garantida em todas as modalidades. Desde o anúncio do Rio, como sede dos Jogos de 2014, poderíamos ter a preparação de jovens atletas em modalidades desconhecidas, quem sabe, desta forma, descobrindo novos talentos, popularizando esportes pouco conhecidos e utilizando a prática esportiva como ferramenta de auxílio na educação de crianças e adolescentes no Brasil. Não foi o que aconteceu.

Infra-estrutura rodoviária, metroviária e aero-portuária precárias, financiamento de obras (superfaturadas) de estádios particulares com dinheiro público, pouco investimento privado em obras e novos negócios, falta de conhecimento de outros idiomas, etc... Por este e outros motivos que extrapolam a simples realização dos eventos esportivos, a construção de arenas, a realização e a transmissão dos jogos. Já podemos afirmar que mais uma vez na história deste país "perdemos" uma grande oportunidade de deixarmos para trás o estigma de país do futuro e nos tornarmos definitivamente o país do presente... Parece que ainda teremos muitos motivos para continuar com a síndrome de "vira-lata".

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Apagão 1, Apagão 2 e Apagão 3 no Superbowl XLVII

O principal evento esportivo do ano nos Estados Unidos marcou o fim de uma das melhores temporadas de futebol americano de todos os tempos. Na noite em que todos os americanos se reúnem na frente da TV para assistir ao jogo de futebol americano, ao show do intervalo e principalmente aos intervalos comerciais, o Superbowl XLVII entrará para a história como o Superbowl dos apagões.

A partida que já tinha um roteiro promissor antes do seu início, com o primeiro duelo entre irmãos no Superbowl (o técnicoJohn Harbaugh do Baltimore Ravens  é irmão de Jim Harbaugh dos San Francisco 49ers ), e a despedida de Ray Lewis, o principal jogador da história do Baltimare Ravens, ficou ainda melhor.

Apagão 1 - O primeiro tempo foi marcado pelo primeiro apagão. Nos primeiros dois quartos, o San Francisco 49ers ficou apagado pelo ataque dos Ravens. Os 49ers cometeu erros em momentos cruciais e perdia rapidamente a posse de bola. Além disso, a defesa dos 49ers, a melhor da temporada regular, foi dominada pelo ataque do Baltimore Ravens. O primeiro tempo terminou 21 a 6 para os Baltimore Ravens.

No intervalo, um grande show de Beyoncé, uma super produção digna da final do Superbowl. Aparentemente foi um espetáculo para a TV porque os comentários foram de que o som no estádio deixou muito a desejar.

Na volta do terceiro quarto, um lance espetacular, um retorno de 108 jardas para o Touchdown e o placar marcava 28 a 6 para os Ravens, parecia que a vaca tinha deitado...

Apagão 2 - De repente, um apagão de fato, daqueles que nos acostumamos a ver nos campos de futebol da América do Sul. Metade dos refletores do estádio se apagaram e em um país onde qualquer imprevisto é motivo para temer pelo pior, a situação ficou tensa para o público que estava no Superdome, em New Orleans. Ainda não se se sabe o motivo do apagão, mas o fato de ter acontecido no principal evento da TV americana, traz o sentimento de que os americanos, especialistas em organização super-eventos, também cometem erros.

Apagão 3 - Após 33 minutos a luz voltou ao Superdome e a partida teve reinício, agora com o terceiro apagão da noite. Desta vez o Baltimore Ravens parecia ter ficado no escuro. Os 49ers conseguiram marcar 17 pontos no terceiro quarto, encostando no placar. O terceiro quarto terminou 28 a 23 e toda a emoção ficou para o último e decisivo quarto.

Em lances pouco comuns para os jogos de futebol americano, a partida foi ganhando em emoção e restando 1:42 para o fim da partida, os Ravens venciam por 34 a 29, com os 49ers na linha de 7 jardas da End Zone. Mas a defesa comandada por Ray Lewis conseguiu segurar o ataque dos 49ers.

Restou ao Ravens administrar inteligentemente o restante da partida, que terminou 34 a 31 para o Baltimore. Título do Superbowl XLVII para os Ravens, prêmio de MVP para o quarterback Joe Flacco, que fez um excelente pós-temporada e fim da brilhante carreira de Ray Lewis, que deixará muita saudades aos fãs dos Ravens.