Como aumentar o número de medalhas do Brasil nas Olimpíadas
Ao fim de todos os Jogos Olímpicos vem a discussão da receita para aumentar o número de medalhas do Brasil nos Jogos. Muitos acham que o investimento deve ser feito em centros de excelência, investimento das Confederações no esporte de alto rendimento, pagamento de salários (ou bolsa auxílio) para os atletas olímpicos, etc... Um ponto que é quase unanimidade entre atletas, ex-atletas e comentaristas esportivos, mas que não faz muito sucesso entre os dirigentes e políticos é o
investimento em esporte nas escolas e/ou centros esportivos que atendam crianças em idade escolar.
Se fizermos uma lista dos atletas que representaram o Brasil em Londres ou em outras Olímpiadas, veremos que grande parte de nossos atletas, tem origem em clubes da classe média alta de grandes cidades: De São Paulo, EC Pinheiros e AD São Caetano; de Belo Horizonte, Minas Tenis Clube; do Rio de Janeiro, CR Vasco da Gama e CR Flamengo; de Porto Alegre: Sogipa e Gremio Náutico União... entre outros, salvo algumas exceções em poucos esportes, como Atletismo e Boxe, a grande parte da população brasileira, não está representada nos Jogos Olímpicos.
Nestas Olimpíadas, tivemos algumas exceções, incluindo a medalha de ouro Sarah Menezes, que teve o apoio financeiro do seu técnico no Piauí e a judoca Rafaela Silva, que conheceu o judô através de um projeto social do ex-judoca Flávio Canto.
Mesmo que alguns atletas do atletismo tenham origem mais simples, é comum que estes atletas tenham iniciado no esporte tardiamente. Daí a história, do ex-bóia-fria que virou corredor ou do ex-gari que virou maratonista. São histórias muito bonitas de superação, mas obviamente não é a carreira ideal para um atleta.
O esporte deveria ter iniciação nas escolas, com mais competições escolares e maior investimento na educação. A experiência de participar de um esporte coletivo, ter disciplina para treinamentos e competições, o trabalho em equipe, a concentração e a superação de desafios são valores que o esporte pode ensinar e fazem parte do processo pedagógico.
Para que isto seja possível não necessariamente seria necessário grandes investimentos. Atualmente nem o Xadrez (que não é um esporte olímpico, mas é um esporte que ensina concentração e raciocínio lógico) é ensinado nas escolas, e qual é o investimento para se comprar um mísero tabuleiro de xadrez?
As escolas e os clubes poderiam formar convênios para introduzir a prática de algumas modalidades que necessitam de maiores investimentos, utilizando a estrutura de clubes, em períodos de baixa utilização. Com mais crianças praticando esportes, a descoberta de talentos, seria facilitada. Além disso, as atividades extra-classe, complementariam o currículo escolar e muitas das atividades físicas, comprovadamente auxiliam no desempenho escolar.
Seria a maneira de incentivar a prática esportiva em complementação a um projeto educacional. Esta política de incentivo da prática esportiva nas escolas, seria semelhante à praticada em países como a Coréia do Sul e Japão. Que tem excelente desempenho nas avaliações escolares, e também um bom desempenho no quadro de medalhas das Olimpíadas.
O problema é que este tipo de política visa o longo-prazo e sabemos que no Brasil, estas políticas de longo prazo, cujos resultados irão aparecer somente após o fim do mandato dos políticos não é muito popular.
Concordo que o investimento em centros de excelência é uma maneira de melhorar os resultados em curto-prazo, mas sem uma política esportiva/educacional de longo prazo, não haverá consistência.
Ao exigir resultados melhores de nossos atletas nas Olimpíadas, acho que deveríamos nos perguntar. O que queremos do esporte no Brasil? E da educação? Não vejo como estes assuntos possam ser analisados separadamente.
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